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Deus está morto?
O homem emergiu das trevas da Idade Média acreditando na razão e na ciência. A vitória das democracias representativas
desalojou imperadores e czares do poder e colocou o ser humano no centro das decisões. Os avanços das tecnologias puseram
na ponta dos dedos o acesso quase irrestrito ao conhecimento e ao lazer. Não havia mais limites. O homem, enfim, parecia
prestes a confirmar sua própria divindade.
Então alguma coisa começou a dar errado. Os valores tradicionais começaram a ruir. Espalhou-se o conceito de que não havia
mais verdades. O homem-deus passou a se achar no direito de ter seus próprios valores e suas próprias verdades. Cidadãos não
respeitam mais a lei. Filhos não respeitam os pais. Políticos não respeitam seus eleitores. Alunos não respeitam professores.
A intolerância ressurge. As drogas infiltram-se nos novos espaços, vazios de afeto e de significado. E uma nova onda de
violência começa a alastrar-se pelo mundo.
Essa tormenta aproxima-se de Frederico. Ele é um jovem professor de filosofia, culto, bem articulado e inteligente, um típico
intelectual moderno que tem respostas para tudo. Menos para seus próprios problemas. Seu casamento fracassou, ele não encontra
estabilidade profissional e sua filha adolescente é viciada em drogas. Na busca de um novo rumo (ou em mais uma de suas fugas)
Frederico arranja emprego no Liceu de Nova Roma, uma pequena cidade do interior. Reflexo de suas próprias angústias, Frederico
propõe a discussão sobre as mudanças dos valores morais contemporâneos tendo como ponto de partida a polêmica questão abordada
por Friedrich Nietzsche: Deus está morto? Mal sabia ele que essa provocação intelectual iria gerar uma revolta na cidade e
desencadearia uma profunda reflexão de uma comunidade que, aos poucos, como numa nova invasão dos bárbaros, se vê envolvida
pela violência, pelo caos e pela perplexidade das vertiginosas mudanças da sociedade pós-moderna.
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